Boletim On-Line |
O Zé
Pereira
Lopes Borgea
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Gente, hoje vamos falar do personagem mais popular do nosso Carnaval Brasileiro. Trata-se do Zé Pereira, esta figura de que falam desde que nós entendemos. Sim, pois Zé Pereira não nasceu agora como é sabido por todos nós. Todos trinta e um de Dezembro, quando os dois ponteiros dos carrilhões se abraçam, se confraternizam recebendo o novo dia, Zero Hora , doze horas, Meia Noite, seja como nossa gente queira dizer. O certo é que de trinta e um de dezembro no dia primeiro de janeiro. O Novo Ano, os sinos repicam, foguetes rebombeiam no ar, automóveis apitam; (quando há bem poucos anos existiam em nossa Cidade as fábricas, estas apitavam); Nos clubes da alta sociedade e de Segunda, os salões ficam superlotados, as orquestras tocam o Hino Nacional, depois nos abraços dos presentes imitando os ponteiros, as falações, estouros de campanhas. Rompem as orquestras, conjuntos... E o tradicional Zé Pereira gritado pelos clarins dando o brado do carnaval. "E viva o Zé Pereira, pois que a ninguém faz mal" Viva a bebedeira, Nos dias de carnaval, isto se repete todos os anos já vindo de outras gerações passadas chegando até nós que passaremos às outras que virão. |
O Zé Pereira inicia e termina todas as partidas de dançantes no período da folia do carnaval. aqui, na nossa terra, nossa gente conta o Zé diferente do original, vejamos:
"Viva Zé Pereira,
Viva o carnaval.
Viva o Zé Pereira.
Que morreu na Brincadeira (C...)
Todos: escritores, historiadores, folcloristas, pesquisadores escreveram sobre esse personagem, baseando-se no historiador Vieira Fazenda, que escreveu "Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro".
Uns falam que o Zé Pereira desde o Império se apresentou como um homem; gordo, barulhento, cheio de graça, batendo um bumbo com macetão de ensurdecer...
O mestre Vieira Fazenda descreve assim: "Cartão amorenado e simpático, olhos brejeiros, bigode curto e grisalho, cabelo todo branco e a escovinha, barba escanhoada, altura regular, ombros e cadeiras largas, peito cabeludo, musculatura de atleta, sempre em mangas de camisa, calça de brim pardo, apertada no amplo abdômen por estreita correia, negação ao suspensório, chinelos de liga, vendendo saúde, sadio e robusto sem nunca ter tomado um remédio.
Este foi o perfil, em ligeiras pinceladas, retratando o Zé Pereira, que se chamava José Nogueira de Azevedo Paredes. "Miguelista intransigente andou nas Bernardas da Maria da Fonte e da Patuléia era contudo amigo do filho de Pedro (Imperador) e de todos os brasileiros. Acidentes da vida que não vêm ao caso fizeram Nogueira procurar o Rio de Janeiro, onde, à rua São José, nº 22, abriu modesta oficina de sapateiro. Essa casa, hoje, completamente reformada, era construída por baixo e feio sobradinho de grades de pau, onde por muito habitou a conhecida parteira Luzia, velha desdentada, feia, rosto de pergaminho engelhado uma carcassa.
"Foi ali, que, em uma segundafeira de carnaval, Nogueira, em amistosa palestra com alguns patrícios recordando-se das esturdias e estrondos da urbi Natal, resolveu, de súbito, com eles sair à rua e ao som de zabumbas e tambores, alugados às pressas, dar uma passeata pela cidade. Sucesso inaudito e quando ao amanhecer, já meio "na chuva" regressou ao lar, esse triunvirato de foliões podia clamar como.
"Quanto à origem do nome, dizem que: em certas localidades de Portugal, é o bombo conhecido por Zé Pereira; querem outros, e isto é mais provável: na primeira noitada de sucesso os companheiros de Paredes na força do entusiasmo e influenciado pela vinhaça trocavam o nome do chefe e davam vivas ao Zé Pereira em vez de Zé Nogueira.
Bem minha gente, vamos ficando por aqui, transcrevendo o que nos disse a grande escritora, pesquisadora de nossas coisas, Eneida, que há bem poucos dias nos deixou se mudando para o outro lado da vida, deixando uma lacuna impreenchível em seu livro "História do Carnaval Carioca" baseada, como todos os outros que já falaram sobre O Zé Pereira, na fonte do Mestre Vieira Fazenda.
"E viva o Zé Pereira, pois que a ninguém faz mal!
Viva a bebedeira
Nos dias de carnaval".
Transcrito do Jornal Pequeno, edição de 13 de fevereiro de 1972
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