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Boletim On-Line
n.º 16 / Junho 2000

Notícias
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Queimação de Palhinhas

O Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho – CCPDVF abriu a sua programação de atividades do ano 2000, no dia 14 de janeiro, quando realizou, no seu Prédio de Exposições, o ritual popular da Queimação de Palhinhas, com ladainha cantada por Dona Teté e Rosa Reis, acompanhadas por músicos tradicionais. Nessa ocasião, apresentaram-se os grupos Pastor do Menino Deus, de Dona Lili Sá Marques, do bairro do João Paulo; e Reis das Flores, de Dona Aldenora Cantanhede Gomes, da localidade de Porto Grande. Houve, ainda, a entrega de prêmios e menções honrosas aos vencedores do Concurso de Árvores de Natal da II Exposição Arvoredo: uma idéia de Natal. (MC)

Orixás

No dia 14 de fevereiro, o CCPDVF abriu a Exposição Orixás, do babalorixá Jorge Itaci, composta de 16 telas pintadas com a técnica óleo e guache sobre papel, reproduzindo imagens de orixás de origem Nagô. Os quadros foram doados pelo autor ao CCPDVF e incorporados ao acervo do Centro. Na abertura da exposição houve apresentação de danças do Tambor de Mina com filhas de santo do Terreiro Iemanjá, de Jorge Itaci. (MC)

Carnaval

Como parte do Plano de Apoio e Incentivo ao Carnaval Maranhense, do Governo do Estado, através da Fundação Cultural do Maranhão, o Centro de Cultura Popular lançou, no dia 2 de março, o CD São Luís Carnaval de Rua, uma reedição do disco em vinil produzido em 1993 pela extinta Secretaria de Estado da Cultura.

O CD reúne composições de 13 grupos carnavalescos de São Luís. Participam do disco os blocos tradicionais Os Versáteis, Os Vigaristas, Príncipe de Roma, Os Tremendões, Os Brasinhas e os Foliões; os grupos de tambor de crioula da Liberdade, da Floresta e da Fé em Deus; as tribos de índios Sioux e Guarany; o bloco Fuzileiros da Fuzarca, um dos mais antigos de São Luís; e o auto carnavalesco Urso Caprichoso. (MC)

O Índio e o Negro

No mês de abril, fugindo da euforia pela comemoração do 5º centenário de descobrimento do Brasil, o Centro de Cultura Popular realizou dois eventos que colocaram em destaque o índio e o negro, promovendo momentos de reflexão sobre a vida e a situação desses dois povos que ajudaram a construir a identidade nacional.

A exposição Índio: ser ou não ser, aberta no dia 14, na Galeria Zelinda Lima, focalizou o índio no seu habitat e aspectos do seu dia-a-dia, com 20 esculturas de cerâmica, produzidas pelos artistas Vitória, Nelle, Rober, Robson Diniz e Rosantos.

O segundo evento colocou em destaque a Casa das Minas do Maranhão, nos dias 25 e 26, com a proposta de suscitar uma reflexão/ação sobre essa tradicional casa de culto afro, sensibilizando a comunidade para a necessidade e a importância de se desencadear o seu processo de tombamento a nível estadual (em fase inicial) e federal.

Dentro da programação constaram uma Oficina de Comida de Santo, ministrada pelas vodunsis da Casa das Minas Dona Celeste Santos e Dona Maria Roxinha e pela pesquisadora Maria do Rosário; a exposição Povo de Mina, com fotografias de Pierre Verger e Ribamar Alves e artefatos rituais da Casa das Minas, e o Seminário Diversidade, Identidade e Direito Cultural, que contou com a participação do antropólogo Raul Lody, da técnica Emília Stenzel, representante do IPHAN/MINC/Departamento de Proteção, e do professor e antropólogo Sérgio Ferretti, que coordenou uma mesa redonda com depoimentos das vodunsis da Casa das Minas Dona Denil Prata Jardim, atual chefe da Casa, Dona Zobeilda Vieira Filho, Dona Maria Celeste Santos e Dona Maria Cesarina dos Passos Lisboa (Maria Roxinha). No encerramento, se apresentou o bloco afro Akomabu, do Centro de Cultura Negra do Maranhão. (MC)

Tríduo Juanesco

O mês de junho traz o Tríduo Juanesco com uma programação junina nos dias 14, 15 e 16, que engloba, no dia 14, a exposição Bumba-meu-boi: uma interpretação no barro, da artista plástica cearense Liara; o lançamento do CD e vídeo A Lenda do Rei Sebastião, de Roberto Machado, com show de apresentação do disco; lançamento da segunda edição do livro Desceu na Guma: o caboclo no Tambor de Mina, da antropóloga e pesquisadora Mundicarmo Ferretti; e lançamento do boletim número 16, da Comissão Maranhense de Folclore.

A programação de apresentação de grupos, nos dias 15 e 16, inclui o Forró de Nunes do Acordeon, grupos de tambor de crioula do povoado Rampa (município de Vargem Grande - MA) e Taim (interior de São Luís), bumba-meu-boi Riso da Mocidade (município de Timon - MA), bumba-meu-boi Boa União (município de Mirinzal - MA), bumba-meu-boi gigante Famosão de São João (município de Humberto de Campos - MA), cantoria com mandadores (donos) de boi do município de Caxias - MA e forró com a banda Arrocha o Bacuri. (MC)

Brincadeira tem Hora

A Comissão Maranhense de Folclore inicia no dia 3 de julho o projeto Brincadeira tem Hora, com a promoção de um curso de Confecção de Brinquedos Populares, de 600 horas, no bairro periférico da Vila Embratel. O projeto será desenvolvido com recursos da Capacitação Solidária em parceria com a Associação Comunitária Itaúna. O curso é destinado a jovens de 15 a 21 anos de idade. (IN)

Falecimentos

Dona Neném

A comunidade do Maracanã sofreu, no dia 18 de maio, uma grande perda com o falecimento de Clizaura Dias Cardoso, mais conhecida por Dona Neném. Dona Neném era funcionária pública, atuava na administração de cemitérios e realizava, no Maracanã, juntamente com o Senhor Mamede e Dona Celeste, da Casa das Minas, uma bonita festa do Espírito Santo, festa essa que crescia ano a ano. Era membro do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira - INTECAB, pertencia ao grupo que está trabalhando para que o Terreiro da Turquia continue em atividade e promovia, apoiava e participava de várias atividades da religião afro-brasileira e da cultura popular maranhense. Foi iniciada na Mina por Dona Irinéia, já falecida, e foi muito ligada a Dona Santana, mãe-de-santo que tem terreiro de Mina e Cura na Vila Esperança, onde ela passou a cultuar a entidade espiritual conhecida na Mina por Rainha Dina. (MRF)

Dona Didi

O Terreiro da Turquia perdeu, no dia 30 de maio, uma de suas mais dedicadas filhas: Claudionora de Jesus Costa, mais conhecida como Didi. Dona Didi era funcionária pública e atuava em uma escola de São Luís. Começou suas atividades mediúnicas no antigo terreiro de Cota Roxa, no Turu. Como seu guia espiritual era Mensageiro de Roma, da família de Turquia, transferiu-se depois para a casa de Dona Anastácia, a que permaneceu ligada até o fim de sua vida. O Terreiro da Turquia está sob o comando de Pai Euclides, da Casa Fanti-Ashanti, que tinha Didi como grande colaboradora. Dona Didi realizava uma festa do Espírito Santo em pagamento de promessa feita por sua mãe, festa essa que durante algum tempo teve como principal colaboradora Dona Nenem, do Maracanã, falecida menos de duas semanas antes dela. (MRF)

Pedro de Alcântara:

O arquiteto carioca Antônio Pedro Gomes de Alcântara, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, falecido em fins do ano passado, foi um grande batalhador pela proteção, restauração e defesa do patrimônio cultural em áreas urbanas de diversas regiões do país. Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, professor universitário, admirador e estudioso do cinema e participante de movimentos sociais, foi um dos mais importantes arquitetos do país, tendo sido responsável por projetos de restauração em Parati, Belém, Macapá, Maceió, Rio de Janeiro e outros locais. Desde fins da década de 1950 até o seu prematuro falecimento, em fins de 1999, Pedro de Alcântara foi responsável por muitos projetos de restauração e tombamento em São Luís e Alcântara, tendo inclusive colaborando intensamente para que São Luís fosse reconhecida como Patrimônio da Humanidade. (SF)

Pedro de Alcântara se interessava por todos os aspectos do homem e da cultura. demonstrando profundo respeito pelos humildes. Foi um apaixonado pela cultura popular, tendo desde cedo reconhecido a obra de grandes artistas como Vitalino de Caruaru e Nhozinho do Maranhão. Sua morte deixa uma enorme lacuna entre os que o conheciam e admiravam seu profícuo trabalho de humanista. (SF)

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COMISSÃO MARANHENSE DE FOLCLORE

DIRETORIA:
Presidente: Sérgio Figueiredo Ferretti
Vice-Presidente: José Valdelino Cécio S. Dias
Secretário: Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Tesoureiro: Maria Michol Pinto de Carvalho

CONSELHO EDITORIAL:
Sérgio Figueiredo Ferretti
José Valdelino Cécio S. Dias
Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Maria Michol Pinho de Carvalho
Mundicarmo Maria Rocha Ferretti
Carlos Orlando Lima
Zelinda de Castro Lima
Roza Santos

EDIÇÃO:
Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Maria Michol Pinho de Carvalho

ILUSTRAÇÃO:
Cláudio Vasconcelos

VERSÃO PARA A INTERNET:
Iran Avelar
Comunique falhas!

CORRESPONDÊNCIA:
CENTRO DE CULTURA POPULAR DOMINGOS VIERA FILHO
Rua do Giz, 205/221, Praia Grande.
CEP. 65075-680 - São Luís  - Maranhão
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