Universo Online

Boletim On-Line
n.º 16 / Junho 2000

CMF participa do III Seminário Nacional de Ações Integradas
Michol Carvalho

A Comissão Nacional de Folclore, em conjunto com a Comissão Espírito-santense de Folclore, apoiadas pela Prefeitura Municipal de Vitória/Secretaria de Cultura, realizou, no período de 20 a 23 de maio, em Vitória-ES, o III Seminário Nacional de Ações Integradas, que contou com a participação de comissões de folclore de vários estados, bem como de representantes do Ministério da Cultura (FUNARTE e IPHAN), de outras instituições, entidades, associações e grupos atuantes na área do folclore e cultura popular.

A programação desse evento englobou 06 (seis) mesas redondas abordando os temas: "O Patrimônio Humano – propriedade, proteção e legislação da cultura popular"; "Ensino e Pesquisa – criação de cursos regulares e sistemáticos do 1º grau ao nível superior"; "Políticas de Memória e Conservação – objetos, documentos, imagens, som, movimento e multimídia"; "Folclore e Turismo – a relação com os órgãos públicos e privados do setor"; "Desenvolvimento Institucional – política e organização em rede das comissões"; e comunicações avulsas.

A Comissão Maranhense de Folclore fez-se representar no citado Seminário pela sua tesoureira, Maria Michol Pinho de Carvalho, também chefe do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, que integrou a mesa redonda Folclore e Turismo – a relação com os órgãos públicos e provados do setor, tendo igualmente atuado como relatora da mesa redonda Políticas de Memória e Conservação – objetos, documentos, imagens, som, movimento e multimídia.

turista16.jpg (11564 bytes)

No seu enfoque sobre o tema Folclore e Turismo, a representante da CMF situou inicialmente o contexto de São Luís do Maranhão, onde vem ocorrendo com mais ênfase a atual experiência da CMF desde a sua rearticulação, em 1992. A capital maranhense configura-se como uma cidade histórica reconhecida, em dezembro de 1997, pela UNESCO, como Patrimônio Cultural da Humanidade, sendo detentora de um significativo conjunto de bens culturais onde a cultura popular é muito forte, ao lado de atrativos naturais e de aspectos coloniais como o casario, os azulejos etc.

Em seguida, ressaltou as idéias básicas tidas como referências para o trabalho da CMF na área de Folclore e Turismo, quais sejam:

  1. O turismo é uma atividade economicamente importante no mundo contemporâneo, que vem se constituindo em fonte de grandes investimentos;
  2. O turismo pode e deve provocar repercussões sociais e econômicas favoráveis, em termos de geração de trabalho e renda e melhoria da qualidade de vida;
  3. A cultura, e no seu contexto o folclore, a cultura popular, detém um rico conjunto de elementos com um potencial capaz de representar uma importante fonte de motivação para a atividade turística;
  4. No mundo globalizado, a busca do conhecimento da experiência cultural e, mais particularmente, da interação simbólica entre as pessoas passa por uma articulação entre o global e o local;
  5. O local pode e deve se constituir num elemento diferenciador na oferta turística, num forte atrativo para um novo tipo de turista, que está sendo identificado no mercado como um importante filão, que é justamente o viajante interessado num intercâmbio cultural com os lugares que visita;
  6. No contexto sócio-cultural de cada local, mais cedo ou mais tarde, ocorrem mudanças em decorrência da própria dinâmica da sociedade. Hoje essas mudanças são fortemente sentidas no contexto da globalização, marcada pelo grande desenvolvimento dos meios de comunicação;
  7. O turismo e a cultura estão muito próximos e essa proximidade precisa servir de base a políticas integradas entre as duas áreas, as quais viabilizem o envolvimento do poder público, privado e da comunidade;
  8. Em relação ao folclore e à cultura popular, essas políticas devem ter como ponto central um processo de preservação e dinamização, articulando tradição e modernidade, pois torna-se necessário acompanhar a dinâmica da sociedade;
  9. É preciso estar atento para que a ocorrência de alterações no contexto do folclore e da cultura popular não seja imposta de maneira extrema, prejudicando significados e esvaziando o que as manifestações e expressões culturais têm de específico, de peculiar. É preciso evitar que o turismo acarrete o problema da banalização da arte folclórica;
  10. Torna-se fundamental suscitar a participação dos produtores do folclore e cultura popular, no caso pessoas, grupos e comunidades, na compreensão, seleção e reordenação dos conteúdos alterados.

Na terceira parte da abordagem do nosso assunto, foi ressaltada a atuação integrada entre a Comissão Maranhense de Folclore e o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, órgão da Fundação Cultural do Maranhão – FUNCMA, sendo colocado o conjunto de ações desenvolvidas no funcionamento do Prédio de Exposições do referido Centro e dentro de uma programação sistemática de atividades, na qual se situam o apoio e incentivo a festejos tradicionais, a exemplo dos Festejos Juninos, Festa do Divino Espírito Santo, Carnaval e festas do Ciclo Natalino, além de eventos como Seminários, oficinas, workshops, cursos, treinamentos, semanas de cultura popular e apresentações de grupos folclóricos da capital e do interior do Estado.

Dentre os projetos executados, foi dado destaque, na área de pesquisa, ao "Memória de Velhos: Depoimentos – uma contribuição è Memória Oral da Cultura Popular Maranhense", que é desenvolvimento na área de memória oral com o registro de depoimentos, através de entrevistas com personalidades-chaves das várias áreas do folclore e da cultura popular maranhense, já tendo sido editados 05 (cinco) livros com as memórias dos entrevistados. Os quatro primeiros através do MINC/FNC e o quinto com recursos estaduais.

Outro projeto focalizado foi o Sabença: museu-escola, voltado para escolas públicas e particulares, em que se trabalha com 40 (quarenta) temas ligados ao folclore e à cultura popular maranhense. A proposta executada é que uma turma de alunos passe uma manhã ou uma tarde no Centro de Cultura Popular participando de um conjunto de atividades: palestra, projeção de vídeo, visitação guiada ao Circuito de Exposições e oficina de arte-educação. Para tal, buscou-se uma parceria financeira com a rede privada e cada escola particular que faz sua adesão ao projeto adota uma escola pública, viabilizando a sua participação nas atividades.

Em termos de sistemática de divulgação foram ressaltados o Boletim da CMF, lançado a cada quatro meses, estando no número 15, além de convites, folders, nos eventos de maior dimensão, cartazes e camisas.

Concluindo o enfoque feito nessa mesa redonda, verificou-se que uma análise crítica do trabalho da CMF, levantando-se as suas principais preocupações quanto à sistemática de atuação adotada, sobretudo no que diz respeito à integração com o CCPDVF/FUNCMA

PRINCIPAL /// PROXIMA


COMISSÃO MARANHENSE DE FOLCLORE

DIRETORIA:
Presidente: Sérgio Figueiredo Ferretti
Vice-Presidente: José Valdelino Cécio S. Dias
Secretário: Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Tesoureiro: Maria Michol Pinto de Carvalho

CONSELHO EDITORIAL:
Sérgio Figueiredo Ferretti
José Valdelino Cécio S. Dias
Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Maria Michol Pinho de Carvalho
Mundicarmo Maria Rocha Ferretti
Carlos Orlando Lima
Zelinda de Castro Lima
Roza Santos

EDIÇÃO:
Izaurina Maria de Azevedo Nunes
Maria Michol Pinho de Carvalho

ILUSTRAÇÃO:
Cláudio Vasconcelos

VERSÃO PARA A INTERNET:
Iran Avelar
Comunique falhas!

CORRESPONDÊNCIA:
CENTRO DE CULTURA POPULAR DOMINGOS VIERA FILHO
Rua do Giz, 205/221, Praia Grande.
CEP. 65075-680 - São Luís  - Maranhão
Fone: 098-XX-231-1557 /// Fax: 098-XX-2323205 /// e-mail: cmfolclore@uol.com.br

Matérias e opiniões aqui divulgadas são da inteira responsabilidade dos autores que as assinam, não comprometendo a C.M.F.